Nada aquece mais estes dias frios, que um bom chocolate quente. Até há uns anos achava que leite com chocolate em pó, seria uma alternativa suficiente ao chocolate quente. Mas depois algo aconteceu. Estávamos em Veneza, o pai do trio-maravilha e eu, em pleno inverno e parámos num pequeno café, só com 2 mesas. A especialidade era chocolate quente. Ainda me lembro, era mesmo pequenino e tinha 3 empregados: um ao balcão, um que servia e um caixa. O chocolate quente era caro e de certo que pagava aquela gente toda, mas era tão bom, que ficou gravado na minha memória. Não só o sabor, mas aquela textura, quase de se comer à colher.

Quando entrei na investida de tentar recriar aquele chocolate, a tarefa tornou-se mais complicada que imaginei. Sabia que queria usar uma bebida vegetal, em vez de leite, cacau e alguma forma de adoçar. Contudo, precisava de espessar. De lhe dar aquela textura que quase se mastiga. Sabia que teria de adicionar espessantes e optei por usar os que conheço melhor: ou amido de milho, ou farinha de araruta. E espantem-se, não precisam de adicionar assim tanto para o resultado pretendido.

Mas a receita ainda não estava completa. Faltava-me densidade no saber. Uma profundidade no sabor que eu não estava a conseguir alcançar. Sabia que as bebidas vegetais de frutos secos (amêndoa ou avelã) conseguiam uma nota de sabor, que as bebidas vegetais de cereais não atingiam. Foi aí que tive a ideia de adicionar manteiga da amêndoa. Ajudou nessa nota de sabor e ainda consegui reduzir o adoçante ao chocolate quente. 

Agora sim, o meu chocolate quente estava pronto para ser partilhado com o mundo!

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